O que o CFM considera sensacionalismo?
A Resolução CFM 2.336/2023 define sensacionalismo em seis situações, entre elas divulgar procedimento para enaltecer a própria atuação, apresentar técnica que deveria ficar restrita ao ambiente médico e usar representações visuais que induzam percepção de garantia de resultado. É a vedação que mais derruba post tecnicamente correto.
Verificado em 5 de outubro de 2026 · Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024
Revisado por Jessica Gonçalves, responsável pela linha editorial da AlphaMed

O que a norma diz
É vedado portar-se de forma sensacionalista ou autopromocional. Entende-se por sensacionalismo: a) divulgar procedimento com o objetivo de enaltecer e priorizar sua atuação como médico ou do local onde atua; e) veicular em público informação que possa causar intranquilidade, insegurança, pânico ou medo; f) usar de forma abusiva, enganosa ou sedutora representações visuais e informações que induzam à percepção de garantia de resultados.
O que isso significa na prática
- Sensacionalismo não depende de o conteúdo ser falso. Informação verdadeira apresentada para causar medo já se enquadra na alínea e.
- A alínea a alcança o post que existe para exaltar você ou sua clínica, mesmo descrevendo um procedimento real.
- A alínea f alcança a parte visual: edição, trilha, enquadramento e montagem que sugiram resultado garantido.
- O §3º define promocional como referir-se a si próprio conferindo propriedades e qualidades privilegiadas.
O que pode e o que não pode
Os mesmos elementos, com e sem o que a norma exige. A diferença costuma estar na legenda, não na foto.
O que pode
@perfil.exemplo
Exemplo fictício
perfil.exemplo Dor lombar que piora à noite e não melhora com repouso merece avaliação. Não é urgência na maioria dos casos, mas é sinal de que vale investigar.
Por quê
Informa sinal de alerta sem produzir pânico e sem se colocar como solução única.
O que não pode
@perfil.exemplo
Exemplo fictício
perfil.exemplo Essa dor nas costas pode ser CÂNCER e você está ignorando! Não espere ser tarde demais. Só eu faço o protocolo completo de investigação na cidade.
Por quê
Produz medo coletivo, enaltece a própria atuação e sugere exclusividade. Três alíneas do §2º em uma legenda.
Todos os exemplos desta página são fictícios, criados pela AlphaMed para ilustrar a regra. Nenhum reproduz publicação de profissional real.
Onde a norma não é clara
Sensacionalismo é o conceito mais subjetivo da resolução e por isso o mais imprevisível. A alínea e é especialmente ampla: toda campanha de prevenção trabalha com alguma dose de alerta, e onde termina a conscientização e começa o medo não está escrito. Campanhas de outubro rosa e novembro azul vivem nessa fronteira. O critério que costuma separar é a presença de saída: conteúdo que nomeia o risco e orienta um caminho concreto de avaliação tende a ser aceito; conteúdo que amplifica o risco sem orientação tende a ser lido como pânico. A execução visual pesa tanto quanto o texto, e isso raramente é considerado por quem produz.
Três passos antes de publicar
- 01
Leia a legenda perguntando: isso informa ou assusta? Se assusta, acrescente o caminho de avaliação.
- 02
Procure qualquer frase que coloque você ou sua clínica como solução única. Retire.
- 03
Revise a edição do vídeo. Trilha de tensão e corte dramático também configuram sensacionalismo.
De onde saiu cada afirmação
- Resolução CFM nº 2.336/2023, texto integral
Conselho Federal de Medicina, 2023
- Conselhos silenciam sobre fiscalização enquanto médicos lucram com fakes
Agência Lupa, julho de 2026
Conteúdo revisado por Jessica Gonçalves, sócia-fundadora da AlphaMed, responsável pela linha editorial e pela aprovação de conteúdo médico dentro das normas do CFM.
Este conteúdo é informativo e foi produzido a partir das fontes citadas acima. Ele não substitui a consulta ao seu CRM. A responsabilidade pela publicidade médica é sempre do profissional, e casos específicos devem ser levados à Codame do seu conselho regional.
Quer conferir se o que você publica está dentro da norma?
A AlphaMed trabalha exclusivamente com a área da saúde desde 2016 e produz conteúdo médico dentro do que o CFM permite. A primeira conversa é sem compromisso.

