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Desmistificando o CFM

Posso publicar fotos de antes e depois?

Pode

Sim. A Resolução CFM 2.336/2023 permite demonstrar resultados, desde que a publicação traga texto educativo, mostre evoluções satisfatórias e insatisfatórias, não identifique o paciente e não edite as imagens. O que a norma proíbe não é o antes e depois em si, e sim a versão que mostra apenas o melhor caso.

Verificado em 5 de outubro de 2026 · Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024

Revisado por Jessica Gonçalves, responsável pela linha editorial da AlphaMed

A regra

O que a norma diz

Demonstrações de antes e depois devem ser apresentadas em um conjunto de imagens contendo indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações decorrentes da intervenção, sendo vedada a demonstração e ensino de técnicas que devem limitar-se ao ambiente médico.
Resolução CFM nº 2.336/2023, Capítulo IX, art. 14, inciso II

O que isso significa na prática

  • A imagem sozinha nunca basta. Ela precisa vir acompanhada de texto que explique a indicação, os fatores que influenciam o resultado e as complicações descritas na literatura.
  • Um caso isolado não serve. A norma pede um conjunto, com evolução satisfatória, insatisfatória e complicações, e quando aplicável em diferentes biotipos, faixas etárias e tempos de evolução.
  • O paciente não pode ser identificável, mesmo tendo autorizado. A autorização é obrigatória, e o anonimato continua obrigatório depois dela.
  • Nenhuma edição é permitida. Isso inclui filtro, ajuste de luz entre as duas fotos, recorte que favoreça o resultado e qualquer melhoramento da imagem.
  • Demonstrar e ensinar a técnica é vedado fora do ambiente médico. Mostrar o resultado é diferente de ensinar o procedimento.
Na prática

O que pode e o que não pode

Os mesmos elementos, com e sem o que a norma exige. A diferença costuma estar na legenda, não na foto.

O que pode (2)

@perfil.exemplo

Exemplo fictício

Pode

perfil.exemplo Rinoplastia: o que esperar e o que não esperar. Abaixo, três casos operados por mim, com 6 meses de evolução: um com resultado dentro do planejado, um com assimetria residual que exigiu retoque e um com edema prolongado. A indicação é funcional e estética, o resultado depende de espessura de pele, cartilagem e cicatrização individual, e as complicações descritas na literatura incluem assimetria, edema persistente e necessidade de revisão em até 15% dos casos.

Por quê

Traz o conjunto com evolução satisfatória e insatisfatória, texto educativo com indicação e complicações, e não promete resultado.

@perfil.exemplo

Exemplo fictício

Pode

perfil.exemplo Por que nem todo paciente tem o mesmo resultado no tratamento de melasma. Nas imagens, a evolução em três fototipos diferentes, aos 3 e aos 12 meses. O melasma é crônico e recidivante; o objetivo do tratamento é controle, não cura. Fatores como exposição solar, gestação e uso de hormônios alteram a resposta.

Por quê

Mostra biotipos e tempos de evolução diferentes, nomeia a limitação do tratamento e trata a imagem como apoio ao texto, não como vitrine.

O que não pode (3)

@perfil.exemplo

Exemplo fictício

Não pode

perfil.exemplo Resultado incrível da nossa paciente! 😍 Antes e depois de harmonização facial. Agende sua avaliação e tenha o mesmo resultado. Vagas limitadas!

Por quê

Caso único e só o melhor desfecho, sem texto educativo, sem complicações, com adjetivo de superioridade e promessa implícita de resultado igual para quem agendar.

@perfil.exemplo

Exemplo fictício

Não pode

perfil.exemplo Transformação da Dra. em ação! Olha o sorriso dela depois. Foto autorizada pela paciente ❤️

Por quê

Autorização não dispensa o anonimato, o rosto identifica a paciente, e não há conjunto nem conteúdo educativo. Autorizar o uso e poder publicar são coisas diferentes.

@perfil.exemplo

Exemplo fictício

Não pode

perfil.exemplo Passo a passo da técnica que uso no preenchimento de olheiras, com o vídeo completo do procedimento. Salva aí para aprender!

Por quê

Demonstração e ensino de técnica fora do ambiente médico é expressamente vedado, mesmo sem mostrar o paciente.

Todos os exemplos desta página são fictícios, criados pela AlphaMed para ilustrar a regra. Nenhum reproduz publicação de profissional real.

Zona cinzenta

Onde a norma não é clara

A norma não diz quantos casos formam um "conjunto", nem em que proporção as evoluções insatisfatórias precisam aparecer. Na prática, publicação com um caso só tende a ser questionada, e a leitura mais segura é apresentar pelo menos três desfechos distintos na mesma peça, incluindo um que não tenha corrido como planejado. Também não há definição fechada de "edição": ajuste de enquadramento costuma ser tolerado, mas qualquer diferença de iluminação, distância ou pose entre as duas fotos é lida por algumas Codames como melhoramento. Fotografar sempre no mesmo set resolve a dúvida antes que ela exista. Em caso concreto, a consulta prévia à Codame do seu CRM é gratuita e fica registrada, o que é uma proteção a mais.

O que fazer

Três passos antes de publicar

  1. 01

    Antes de fotografar, padronize o set: mesma distância, mesma luz, mesma pose, sem filtro em nenhuma das capturas.

  2. 02

    Reúna pelo menos três casos do mesmo procedimento, incluindo um com evolução insatisfatória ou complicação, antes de montar a publicação.

  3. 03

    Escreva o texto educativo primeiro e a legenda depois: indicação, o que influencia o resultado e as complicações descritas na literatura. Se o texto não existir, a imagem não sai.

Fontes

De onde saiu cada afirmação

Conteúdo revisado por Jessica Gonçalves, sócia-fundadora da AlphaMed, responsável pela linha editorial e pela aprovação de conteúdo médico dentro das normas do CFM.

Este conteúdo é informativo e foi produzido a partir das fontes citadas acima. Ele não substitui a consulta ao seu CRM. A responsabilidade pela publicidade médica é sempre do profissional, e casos específicos devem ser levados à Codame do seu conselho regional.

Ficou com dúvida

Quer conferir se o que você publica está dentro da norma?

A AlphaMed trabalha exclusivamente com a área da saúde desde 2016 e produz conteúdo médico dentro do que o CFM permite. A primeira conversa é sem compromisso.